
Quando nasci a minha avó paterna já tinha morrido, o meu pai tinha apenas catorze anos quando a mãe morreu de parto juntamente com o bebé. O meu pai era o segundo filho mais velho de seis e o mais próximo da mãe, era ele que a ajudava nas lides domésticas e com quem ela partilhava as suas inquietudes e a quem pedia conselhos, na ausência de um marido consumido pelo trabalho árduo de uma mina de volfrâmio e da lavra dos campos que nem sempre produziam o necessário para alimentar toda a família, por isso creio que terá sido muito difícil para ele aguentar aquela morte inesperada, tendo pouco tempo depois abandonado a casa paterna e partido para a grande cidade em busca de algo que preenchesse aquele espaço esvaziado que tanto doía, mal ele sabia que nunca iria ser capaz de o preencher, nem haveria mais ninguém que o fizesse da mesma forma que a minha avó.