sexta-feira, 26 de junho de 2009

Vamos para a praia


Acordava com a minha mãe a mexer em coisas que emitiam uns sons que não conseguia identificar, estremunhada tentava perceber o que se passava e descobria que ainda era noite, mas havia um cheiro a estrugido que me nauseava, até que finalmente percebia que eram os preparativos para o dia de praia e campo que se aproximava.


O meu pai gostava de chegar cedo à praia porque não queria apanhar trânsito e porque achava que a manhã era a melhor parte do dia para aí permanecer. Eu ia ensonada e tinha como tarefa montar a barraca azul, colocar o pára-vento e a manta e ali ficávamos até à hora de almoço, quando deixávamos a praia e íamos para o pinhal que ficava muito próximo. Aí chegados, preparava-se o espaço, de um lado colocava-se a mesa e os bancos articulados, do outro a manta estendida no solo forrado de folhas secas de eucalipto e amarrava-se a cama de rede vermelha ao tronco de dois pinheiros. A minha mãe ia colocando na mesa os pratos, talheres e copos de plástico onde iria servir o arroz de tomate que estava quentinho como se tivesse acabado de ser feito com as fêveras panadas acompanhado pela laranjada.


E ali estávamos os quatro à volta de uma mesa minúscula, quase de cócoras, mas onde nada era forçado, era como se estivéssemos a brincar ao faz de conta, onde tudo era equilibrado e harmonioso.

4 comentários:

  1. Obrigado pelo voto
    Gostei do seu blog. Vou adicioná-lo à minha lista de preferidos.
    Tem textos muito bonitos.
    Parabéns
    Jorge

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  2. As lembranças da infância tem mesmo a doçura das mágicas. E a força dos sobreviventes. Agarram-se com um doce desespero à nossas memórias mais caras.

    Parabéns pelo texto.

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  3. Anda por aqui uma espécie de "realismo mágico" que me agrada... Agrada sim senhor!

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